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SABATINA CP
Samuel Costa afirma que quer chegar ao segundo turno da eleição

Data da notícia: 2026-09-29 18:34:41
Foto: Gabriela Suemasu/CP/Divulgação
Candidato visitou a sede do Jornal Correio Popular para participar do ‘CP nas Eleições’

Samuel Costa tem 36 anos é advogado, jornalista, professor e especialista em ciências políticas. Ele nasceu em Porto Velho e é filho de professores da rede pública. Construiu a carreira atuando na defesa da educação, direitos humanos e pautas sociais. Estreou nas urnas, em 2014, ao se candidatar ao cargo de deputado estadual.

Disputou a Prefeitura de Porto Velho por duas vezes, em 2020 (pelo PCdoB), e em 2024, (pela REDE), e ainda concorreu à Câmara dos Deputados em 2022. Nunca foi eleito. Em 2026, busca o governo de Rondônia pelo PSB.

Sabatina CP - Porto Velho apareceu na 48ª posição no ranking de 2025 como uma das cidades mais violentas do mundo. De acordo com o Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, com taxa estimada de 30,7 homicídios a cada 100 mil habitantes. Quais medidas de redução seu governo se compromete a entregar até o fim do mandato?

Samuel Costa - Minha proposta é muito clara: fazer com que a gente possa viabilizar o retorno de cerca de 500 policiais militares que estão cedidos às instituições como o Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público. Nós temos cerca de 700 policiais militares, praças e oficiais, fazendo patrulhamento ostensivo e cumprindo com sua função constitucional, que é o patrulhamento preventivo. E, não obstante de tudo isso, eu acho que passou do momento de nós remanejarmos esses 500 policiais, ampliarmos o efetivo nas ruas, para que possamos ter o mínimo de bem-estar e paz social.

Sabatina CP - O que mais pode ser feito?

Samuel Costa - A gente quer chegar ao governo do estado, para a gente asfixiar o orçamento das organizações criminosas, que se apoderaram, não somente da capital, e agora se instalaram nas principais cidades, até no perímetro urbano do nosso estado. Independentemente do presidente da República, que for eleito ou reeleito, nós vamos exigir 300 homens e mulheres da Força Nacional de Segurança Pública, com a finalidade de cuidar do patrulhamento das BRs 429, 425, 319, 364, com os quase 7 mil quilômetros pertencentes ao governo estadual, e fazer o patrulhamento de fronteira em Guajará Mirim e Costa Marques, e fazer um intercâmbio permanente com os órgãos de controle e fiscalização no âmbito da União, Polícia Federal, Abin, Gaeco, Draco, Coaf, Receita Federal e Receita Estadual.

Sabatina CP - Diante da sobrecarga histórica do Hospital João Paulo II e dos problemas estruturais da rede pública de saúde de Rondônia, quais medidas o seu governo pretende adotar para reduzir a superlotação hospitalar e enfrentar a falta de médicos?

Samuel Costa - Nem Adolf Hitler fez com os judeus o que a atual gestão faz com o nosso povo. Eu lembro que no ano de 2010, houve uma cena deplorável que ganhou repercussão nacional e internacional que foi a de um senhor, de aproximadamente 70 anos, agonizando nos seus últimos suspiros de vida, na porta do necrotério do João Paulo II, deitado ao chão, ao relento, sem nenhum tipo de auxílio.

Sabatina CP - Mas isso foi em 2010, pelo que o senhor afirma.

Samuel Costa - De lá para cá, o que era ruim ficou ainda pior. Nesse ano de 2010, o João Paulo II recebeu da imprensa nacional e internacional o título de ser o pior hospital público do país. Eu vejo candidatos, hipócritas, demagogos, falsos poetas, enganadores do povo, dizer que vão resolver o problema do João Paulo II. Olha, o candidato aqui de Ji-Paraná, ele, antes de ser candidato, agora, pela segunda vez, foi oito anos deputado federal. Está no último ano como senador da República. Só de emenda individual, esse sujeito teve mais de 2 bilhões com ‘B’ de bola.

Sabatina CP - Candidato, senhor poderia explicar melhor?

Samuel Costa - Eu não estou falando de emenda de bancada, emenda PIX, RP9, orçamento secreto. Só de emenda individual carimbada, ele teve mais de 2 bilhões. Isso daria para nós construirmos, no mínimo, cinco novos João Paulo II, com a mesma estrutura do Albert Einstein e do Sírio-Libanês: 400 milhões de reais cada um. Ele não fez.

No hospital de Ji-Paraná, ele teve a petulância de subestimar a inteligência do povo e dizer que o hospital não foi feito por negligência do prefeito anterior, porque sempre arranja um culpado. A culpa nunca é dele.

Sabatina CP – O senhor quer seguir com os comentários?

Samuel Costa - Um outro fica com molecagem, dando cavalo de pau e empinando moto, quebrou a Prefeitura de Cacoal.

Quem fala isso não sou eu, é o vice dele, o Tony Pablo. Então, quem fala a verdade não merece castigo. Eu estou simplesmente sendo um mero mensageiro do que o Tony Pablo disse. O hospital que tem a capacidade de fazer 20 cirurgias por dia, não faz a média de uma cirurgia. Se você pegar os últimos 90 dias, deu menos de 65 cirurgias.

Em 90 dias, dá 0,70, no máximo. E antes dele falir a Prefeitura de Cacoal, ele foi deputado estadual. E por incrível que pareça, ele presidiu por dois anos a Comissão da Saúde na Assembleia Legislativa de Rondônia. Sabe quantas vezes ele foi a Brasília denunciar essa matança exacerbada do nosso povo? No Euro, no João Paulo II, no Hospital de Base, no Cosme Damião? Nenhuma única vez.

Sabatina CP – O senhor que continuar seguindo com esta linha de raciocínio?

Samuel Costa - Por derradeiro, tem um outro, que é ex-prefeito de Porto Velho, que nesse mesmo período, quando João Paulo II foi eleito o pior hospital público do Brasil, ele era promotor de justiça. E pasmem, senhores e senhoras, ele era o promotor titular da Promotoria da Saúde do MPRO. Nunca moveu uma ação civil pública, que é o instrumento técnico-jurídico utilizado para delatar essa matança exacerbada do nosso povo.

Sabina CP – E as suas propostas?

Samuel Costa - Então, tipo assim, é mais do mesmo. Eu acho que a gente tem dois caminhos. O primeiro é o do continuismo, da velha retórica, da sociedade de castas, oligarquias, capitanias hereditárias. E o outro processo é o que vem genuinamente representando os anseios do nosso povo, que é liderado por mim e pelo sargento PM Machado [candidato a vice]. Eu sou um trabalhador comum, que acorda todos os dias pela manhã para levar o sustento para a minha família. Eu tenho 36 anos. Desses meus 36 anos, 20 anos, foram dedicados a estudar Direito e Gestão Pública. As pessoas precisam se desapegar de ideologia, porque a pauta moral não resolve o problema das pessoas. As pessoas vão me dar essa oportunidade.

Sabatina CP - Vamos falar sobre as queimadas. Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado cobrou ações para impedir a repetição da crise de queimadas, que aconteceu em 2024, e que prejudicou a saúde da população, o meio ambiente e a economia regional. Qual é o seu plano de governo para combater esse mal?

Samuel Costa - É enfrentar um negacionismo climático que ainda existe e permeia em nosso estado. É necessário que nós tenhamos uma concepção de agregar desenvolvimento, mas feito de forma sustentável. Existe um projeto exitoso na Ponta do Abunã [Distrito de Porto Velho], denominado Projeto Reca. É um modelo híbrido de agroflorestamento, onde se faz o agronegócio, mas de forma responsável. Agora, minha proposta é muito clara. Manter a floresta em pé, e economicamente, financeiramente, é viável. Mas o que falta? É o incentivo do estado em elaborar bons projetos e dar suporte para o homem do campo poder ter essa conscientização e ter um caráter pedagógico, não só de multar, que eu acho que não é só com ferro e fogo. Usar da razoabilidade, do bom senso, e explicar para que a gente possa receber crédito de carbono de países da Europa, da América Central, que desmataram suas florestas,

Sabatina CP - E os fenômenos El Niño e o La Niña?

Samuel Costa - É necessário também que nós tenhamos ampliação e fortalecimento da Defesa Civil no âmbito das prefeituras e, consequentemente, do estado, para que seja viabilizado dentro de um calendário orçamentário com autonomia administrativa e financeira para que a gente realize os planos de contingência. Um povo sem cultura não é povo, ele é bando. Então, essas mudanças climáticas têm afetado diretamente as comunidades ribeirinhas, os povos da floresta, os povos dos rios, das águas. E a minha proposta consiste em a gente despertar esse sentimento de pertencimento. Porque é muito importante para a balança comercial do estado ter um PIB de 80 bilhões de reais.

Só que essa riqueza fica concentrada nas mãos de pouquíssimas pessoas. Então, a minha proposta, ela é muito clara. Até mesmo para frear essa produção demasiada da soja.

Sabatina CP - Qual a relação entre os fatos?

Samuel Costa - A gente, infelizmente, ficou refém de uma monocultura, ou no máximo de uma bicultura, ou criar gado ou plantar soja. Ou se é soja ou é leite e gado. A gente precisa poder, de forma escalonada, até 2036, chegar a uma alíquota de um imposto estadual de 10%. Por exemplo, qualquer atividade agrícola, ela paga imposto estadual. Da turma da soja, que destrói as nossas rodovias 364, 425, 429, 319, quase 7 mil quilômetros do estado, das vicinais dos municípios, pouco se arrecada. É o baronato da soja. Eles acham que estão acima do bem e do mal, e é necessário que a gente discuta isso com a sociedade. E eu não quero que ninguém assine um cheque em branco para mim. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins já cobram imposto. Por que aqui não se pode cobrar? A minha proposta consiste que, em 2027, cobrar 2,5%. Ou seja, o grande produtor de soja, que exportou 1 milhão de reais para a China, União Europeia e Estados Unidos, vai pagar 25 mil reais. Ele exportou 10 milhões de reais e vai pagar 250 mil. Quem cria gado, muito provavelmente alguém da família de vocês, deve ter um pequeno sítio ou uma fazenda, com 10 vacas que vende para o frigorífico, e paga10% para esse fim. Por que a turma da soja não pode pagar? Qual é o emprego? Qual é a responsabilidade social que essa turma tem? A não ser de jogar veneno e adoecer as pessoas.

Sabatina CP - Mais de quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Segundo o levantamento nacional feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em março de 2026, Rondônia foi considerado o segundo estado com maior taxa de feminicídio do Brasil. O que tem no seu plano de governo para tirar Rondônia desse ranking tão preocupante?

Samuel Costa - O Anuário da Segurança Pública mostrou que a atual política pública, liderada pelo atual governo e governo passado, fracassou. É uma selvageria sem precedentes vermos mulheres, irmãs, primas, filhas e amigas sendo vítimas de violência. E vale ressaltar que violência ocorre das mais variadas facetas. Vai da violência psicológica, patrimonial, física, propriamente dita, e, subsidiariamente, aquilo que muitas das vezes a gente acha que não é crime, que é a violência psicológica. Então, é necessário que nós tenhamos a Deam, uma delegacias especializadas 24 horas, sete dias por semana, para que a gente possa dar o mínimo de atendimento a essas mulheres, vítimas dos mais variados tipos de violência.

Sabatina CP - E suas propostas, candidato?

Samuel Costa - É necessário que se tenha uma rede de apoio, um suporte, onde eu entendo que a delegada tem que ser do sexo feminino, porque imaginemos bem, as nossas mulheres, muito dificilmente, se não forem enponderadas, independentes, elas acabam meio que aceitando e romantizando ou tolerando esse tipo de práticas indecorosas, sexistas e machistas, que, ao longo dos anos, a gente vai replicando. E, nesse aspecto, é muito importante frisar que nós tenhamos uma rede de apoio psicossocial, formada por psicólogos, terapeutas, assistentes sociais, psicanalistas, enfim, neuropsicólogos, psiquiatras, para fazer o acolhimento interdisciplinar, multiprofissional dessas mulheres, filhos e parentes colaterais. Agora, mais importante do que isso: é a gente humanizar o atendimento. É necessário, também, que o estado aplique a lei penal de forma rígida e firme E a gente precisa fazer a abertura de concurso público, de provas e títulos, e garantir, no mínimo, 30% dessas vagas destinadas a mulheres.

Sabatina CP - Após cerca de uma década sem concursos para professores da rede estadual, Rondônia passou a depender de contratos temporários e a própria Seduc reconhece uma crise de profissionais. Como seu governo pretende garantir um quadro permanente de professores?

Samuel Costa - A educação é a nossa carta de alforria. É através dela que a gente pode transformar a nossa vida. Tem uma frase de um autor desconhecido que diz: libertei mil escravos e poderia ter libertado tantos outros se eles soubessem que eram escravos. Então, às vezes, para a gente libertar o nosso povo da ignorância, das amarras, do mal, é necessário que a gente dê acesso ao letramento, a uma formação continuada. Só que a gente tem que passar a superar, de uma vez por todas, essa concepção tacanha de associar a qualidade de ensino ao professor na sala de aula.

Sabatina CP – Continue seu raciocínio, candidato.

Samuel Costa - Mais importante do que nós temos professor na sala de aula é a gente ter trabalhador e trabalhadora na educação motivados. Os nossos técnicos educacionais, trabalhadores em educação, professores, recebem um salário de míngua. E não há nenhum tipo de atrativo para poder formar essa meninada nova a buscar um curso de licenciatura plena. Se você for a qualquer polo ou campus da Unir, seja em Ji-Paraná, Porto Velho, em qualquer outra região, vai ver que há muitas vagas ociosas, ou seja, vazias, para o curso de licenciamento, licenciatura em língua portuguesa, inglesa, espanhola, matemática, física, química, biologia, geografia, história. Porque não há nenhum tipo de atrativo em querer manter o professor na sala de aula.

Sabatina CP – A que isso se deve?

Samuel Costa – Hoje, o professor da rede pública, ele presta quase que um serviço de devoção, é quase um sacerdócio, porque o que ele recebe sequer dá para pagar a sua indumentária. E eu acredito que a gente tem que copiar aquilo que já deu certo no Brasil como no Ceará e Maranhão. No estado do Ceará, das 100 melhores escolas do Brasil, 77 estão no Ceará. Ou seja, entra governo e sai governo, eles dão continuidade a uma política de estado. Todas as escolas em rede estadual são bilíngues e de tempo integral. Lá, o estudante toma café, lancha, almoça, lancha à tarde e sai jantado [sic]. Isso já diminui significativamente o alto índice de evasão escolar.

Sabatina CP - E o Maranhão?

Samuel Costa - No estado do Maranhão, segundo a CNTE, que é a Central Nacional de Trabalhadores de Educação, a se paga o maior salário para o professor. Então, o que a gente precisa fazer? Além de ter salários atrativos, o estado não pode se eximir de propiciar a esses trabalhadores da educação formação continuada, com curso de pós-graduação, lato sensu, stricto sensu, pós-graduação, mestrado, doutorado, e garantir um abono, uma premiação para os trabalhadores que alcançarem a meta estabelecida pelo Ministério da Educação. Dinheiro tem de sobra. O que falta, mais uma vez, é efetividade.

Sabatina CP - Por que o rondoniense deve votar em Samuel Costa para ser o governador de Rondônia?

Samuel Costa - Primeiramente, gostaria de agradecer a todos vocês pela oportunidade de estar aqui apresentando minhas convicções. Eu sou vocês e vocês são eu. Eu vim do meio do povo. E é para vocês que eu quero governar. Sem ódio, sem rancor, sem revanchismo, sem perseguição. A Rondônia que a gente quer é humana, é honesta, é decente, é formada por trabalhadores e trabalhadoras da cidade, do campo, da capital e do interior, que estão compromissados em atender essa demanda que o nosso povo tanto padece. A gente só quer o fiel cumprimento da Constituição, fazer o arroz e o feijão bem feito, e aí, quem sabe, num futuro não muito distante, poder implementar a tão sonhada Universidade Estadual Rondoniense, que hoje, infelizmente, quem é do interior tem muita dificuldade em ver o filho formado, o neto estudando. E eu quero muito chegar ao segundo turno, porque com o tempo de televisão igual, a gente vai poder apresentar um pouco mais de nossas convicções, porque o tempo é curto. Muito obrigado e sigamos firmes na luta.

Fonte: Da Redação




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