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CINEMA
Curta-metragem leva cinema de Ji-Paraná para festival na Suíça

Data da notícia: 2026-09-16 12:06:53
Foto: Assessoria/Divulgação
O vídeo foi selecionado para o 19º Lust*streifen Film Festival Basel

Ji-Paraná atravessa a fronteira e chega ao circuito internacional de cinema com “Sussurros na Água”, filme dirigido por Otavio de Sousa e selecionado para o 19º Lust*streifen Film Festival Basel, na Suíça. A obra é o único filme brasileiro no festival e disputa a categoria “Intimacy Competition”, dedicada a produções que exploram diferentes dimensões da intimidade.

Para Otavio, chegar ao festival representa mais do que o reconhecimento de um trabalho específico: é também um sinal da crescente presença de artistas rondonienses em espaços nacionais e internacionais.

“Essas conquistas e reconhecimentos mostram como os artistas e produtores audiovisuais de Rondônia, mesmo com recursos baixíssimos, conseguem contornar as dificuldades de produzir com pouco recurso e desenvolver trabalhos de qualidade”, afirma.

O diretor, no entanto, faz questão de não transformar a falta de investimentos em motivo de celebração. Para ele, a visibilidade alcançada por produções independentes também evidencia o potencial que poderia ser desenvolvido com melhores condições de produção.
“Imagino o que não poderíamos fazer com recursos adequados.”, questiona.

Entre a água e os afetos

Com 11 minutos de duração, “Sussurros na Água” investiga a relação entre dois homens que compartilham momentos de intimidade, mas percebem que, apesar do tempo, o vínculo construído entre eles permanece restrito ao território sexual.

A água conduz parte dessa narrativa, e para o diretor, ela está diretamente relacionada às memórias de infância e à experiência de crescer em Rondônia.

“Eu nasci e cresci aqui. De pé no chão correndo descalço na rua de terra, subindo em árvores, andando no meio da floresta e tomando banho de rio e de chuva”, conta.

A partir dessas memórias, a água se transforma em elemento de acolhimento, mas também em metáfora para a fluidez dos afetos, dos vínculos e das relações contemporâneas.

O filme dialoga com a ideia de “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, e com o conceito de “intimidade sintética”, discutido pelo psicólogo André Alves.

Fonte: Com informações da Assessoria.




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