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ARTIGO
Golpes com inteligência artificial crescem no Brasil e desafiam bancos

Data da notícia: 2026-07-02 10:15:43
Foto: Arquivo Pessoal
*Marcelo Alves de Souza, Gerente de Prevenção e Combate à Fraude e PLDFT do Banco Bari

Hoje, os golpes não dependem mais apenas de mensagens mal escritas ou ligações suspeitas facilmente identificáveis. Ferramentas de IA conseguem reproduzir vozes, rostos, padrões de escrita e até comportamentos humanos com enorme precisão, tornando os ataques quase indistinguíveis da comunicação legítima.

Ou seja, o impacto vai além do prejuízo financeiro. A sofisticação dos golpes compromete a confiança do consumidor no sistema bancário e provoca danos emocionais relevantes. Muitas vítimas relatam constrangimento, insegurança e sensação de vulnerabilidade após serem enganadas por fraudes cada vez mais realistas. Em um ambiente no qual a confiança é um dos principais ativos do setor financeiro, o desafio reputacional também cresce.

Outro ponto crítico é que não existe mais um único perfil vulnerável. Enquanto idosos continuam sendo alvo frequente de golpes ligados a falso suporte técnico e empréstimos consignados, os jovens e usuários altamente conectados são impactados por fraudes em marketplaces, redes sociais, jogos online e aplicativos financeiros. Isso mostra que a ameaça se espalhou por todas as camadas digitais da sociedade.

Para enfrentar esse cenário, bancos vêm ampliando investimentos em inteligência artificial aplicada à prevenção de fraudes. Monitoramento comportamental, análise transacional em tempo real, autenticação baseada em risco e biometria multicamadas já fazem parte da rotina das instituições financeiras. O objetivo deixou de ser apenas identificar operações suspeitas, agora é necessário distinguir comportamentos legítimos de ações artificialmente manipuladas.

Não à toa, a segurança baseada em camadas se tornou uma das estratégias mais eficientes. Biometria facial e autenticação em duas etapas continuam sendo importantes, mas já não são suficientes isoladamente. O cruzamento de dados comportamentais, localização geográfica, padrão de compra, velocidade de navegação e perfil transacional passou a ser essencial para detectar anomalias em tempo real.

Além da tecnologia, cresce também a necessidade de educação digital. A população precisa entender que golpes modernos exploram principalmente emoções humanas, como urgência, medo e ansiedade. Mensagens alarmantes, contatos inesperados, ofertas “imperdíveis” e pedidos incomuns continuam sendo sinais importantes de alerta, mesmo em uma era de conteúdos gerados por IA quase perfeitos.

Do ponto de vista regulatório
O Brasil ainda está em fase de adaptação. O país possui uma base relevante de normas relacionadas à proteção de dados e segurança bancária, mas a velocidade da evolução tecnológica exige atualizações constantes. O desafio regulatório será equilibrar inovação, segurança e experiência do usuário sem criar barreiras excessivas para consumidores e empresas.

A tendência para os próximos anos é clara, os golpes com inteligência artificial se tornarão ainda mais personalizados, automatizados e convincentes. Entretanto, o mesmo avanço tecnológico também permitirá mecanismos de defesa mais inteligentes e preditivos. O futuro da segurança financeira dependerá da capacidade de bancos, reguladores e consumidores evoluírem juntos em um ambiente digital cada vez mais complexo.

No fim das contas, a inteligência artificial não é o problema em si. O verdadeiro desafio está na velocidade com que a sociedade consegue adaptar seus mecanismos de proteção diante de uma tecnologia que evolui diariamente. Em um país altamente digitalizado como o Brasil, proteger a confiança no sistema financeiro é tão importante quanto proteger o próprio dinheiro.


Fonte: Marcelo Alves de Souza




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