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60 ANOS DE EXISTÊNCIA
Festival Cultural de Nazaré chega aos 60 anos e mantém viva uma das maiores tradições de Rondônia

Data da notícia: 2026-06-08 08:44:03
Foto: tvcaboquinho.com
Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, evento acontece dias 17 e 18 de julho de 2026

A comunidade de Nazaré, às margens do Rio Madeira, se prepara para celebrar um marco histórico. Nos dias 17 e 18 de julho de 2026, o Festival Cultural de Nazaré completa 60 anos de existência, consolidando-se como uma das mais importantes e autênticas manifestações culturais de Rondônia. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, o festival reúne anualmente mais de duas mil pessoas entre moradores, visitantes de diversas cidades rondonienses, turistas de diferentes regiões do Brasil e comunidades ribeirinhas que encontram no evento um espaço de encontro, celebração e valorização das tradições amazônicas.
Mesmo diante de sua relevância histórica, cultural e turística, a celebração segue sem receber apoio da Prefeitura de Porto Velho, do Governo de Rondônia ou das secretarias ligadas à Cultura e ao Turismo. A organização buscou novamente apoio institucional para a edição comemorativa dos 60 anos, mas os pedidos não foram atendidos.
A situação chama atenção porque o festival preserva algumas das mais genuínas expressões culturais do estado. Entre elas está o projeto Minhas Raízes, que completa 21 anos de atuação em 2026 e é considerado uma iniciativa única no Brasil, além da Velha Guarda da Música, do Boi Curumim e de diversas outras manifestações que mantêm viva a identidade cultural das populações ribeirinhas da Amazônia.
Entre os destaques da programação está justamente o grupo Minhas Raízes, criado dentro da própria comunidade e que se tornou referência na preservação da cultura ribeirinha amazônica. Ao longo de mais de duas décadas, o projeto vem fortalecendo a memória local por meio da pesquisa, da formação cultural e das apresentações artísticas inspiradas nos saberes e modos de vida tradicionais de Nazaré.
Além do valor cultural, o Festival Cultural de Nazaré movimenta diferentes segmentos da economia e do turismo regional. Durante sua realização, a comunidade recebe visitantes atraídos pela gastronomia tradicional, pelo turismo ecológico, pelas experiências comunitárias e pelo contato com manifestações culturais que resistem ao tempo graças ao esforço dos próprios moradores.
A realização do evento é coordenada pelo Instituto Minhas Raízes, organização comunitária liderada pela família Nunes, descendente de Manoel Maciel Nunes, idealizador do festival há seis décadas. Desde sua criação, a festa é construída pela própria comunidade, que mantém viva a tradição mesmo diante da ausência de investimentos públicos.
Neste ano, diante da falta de recursos, artistas, brincantes, voluntários e apoiadores decidiram mais uma vez unir forças para garantir que a data não passe em branco. A mobilização busca arrecadar recursos financeiros para a compra de materiais que serão utilizados em pequenos bingos comunitários realizados durante os ensaios das danças e encontros preparatórios na arena cultural. A renda dessas ações ajudará a custear despesas básicas da programação comemorativa. “A festa é humilde, simples, mas cheia de amor e essência. Fazemos tudo com alegria e gratidão”, afirma Thaís Passos, uma das produtoras do festival.
Para Tullio Nunes, também integrante da organização, a continuidade do evento representa um compromisso assumido com a memória e a identidade do povo de Nazaré. “Temos uma missão que está longe dos interesses políticos e eleitoreiros de pessoas que poderiam contribuir. Assim seguiremos. O Festival Cultural de Nazaré nasceu da comunidade, permanece pela comunidade e continuará existindo graças às pessoas que entendem a importância de preservar nossa história e nossas raízes”.
Ao completar 60 anos, o Festival Cultural de Nazaré reafirma seu papel como símbolo de resistência cultural na Amazônia. Mais do que uma festa, o evento representa a memória de gerações, a valorização dos saberes tradicionais e a força de uma comunidade que nunca deixou sua cultura depender exclusivamente de promessas ou governos. Enquanto o apoio oficial não chega, Nazaré segue fazendo o que sempre fez: unindo pessoas, preservando tradições e mostrando que a maior riqueza de Rondônia está em seu povo, em sua cultura e em sua capacidade de manter viva uma história construída coletivamente há seis décadas.

Fonte: ondaagency.pvh@gmail.com




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