Jornal Correio Popular





Um memorial para ser esquecido

Data da notícia: 2021-12-17 18:45:14
Foto:

Aos que se dispuseram a ler meu artigo da semana passada, o pirulito que me referi no texto é esse aí da foto. Ele foi inaugurado em 27 de junho de 2008 pela Fundação Cultural de Ji-Paraná. Seria mais uma referência histórica, se tivesse sido erguido no lugar certo. O projeto inicial, idealizado por mim, era erguer o memorial que retratasse a conclusão da rede telegráfica na Praça da Linha Telegráfica. Óbvio. Uma iniciativa para eternizar o legado histórico de Rondon e se tornar uma atração turística para Ji-Paraná.

E verdade seja dita, nos anos seguintes, nada foi feito pelos responsáveis pela cultura local para que o projeto saísse do papel, principalmente a partir de 2013, quando voltei a tratar do assunto. Sequer uma placa de identificação foi instalada para que a população questionasse o nome dado à praça. Neste período, o que se viu foi uma vandalização do patrimônio histórico municipal durante a realização de festivais de rock que fizeram do Museu das Comunicações Marechal Rondon uma latrina pública.

Na época, fiz essa denúncia aos responsáveis pelo evento, que entrou por ouvido e saiu pelo outro. Também denunciei o quase abandono do prédio. Mesmo funcionários alegando que a coisa estava sendo deixada de lado, os gestores diziam que estava tudo bem, apenas estavam aguardando o tombamento do museu pelo Iphan/Rondônia, fato que realmente ocorreu em 25 de novembro de 2015. Contudo, foi preciso fazer das tripas corações para que uma reforma emergencial fosse concluída para que não passássemos vergonha aos olhos dos poucos que ainda visitam o local.

Pois bem, uma reforma mais ampla do museu está em execução (iniciada na gestão do prefeito Marcito Pinto), embora tenha sido suspensa (neste ano) por alguns milímetros na espessura do assoalho. Coisas de empreiteiras. Vou aproveitar essa injeção de ânimo cultural para retomar o projeto do memorial na Praça da Linha Telegráfica e outros mais que preservem nossa memória e possam oferecer às futuras gerações razões para questionar e se orgulhar de seu passado.

De resto, assumo a culpa por não ter sido suficientemente persuasivo para honrar a história de Ji-Paraná. Reconheço que minha omissão, mesmo fazendo parte de órgãos de decisão com a Prefeitura e Câmara Municipal, produziu mais apatia em quem, por direito e obrigação, deveria ter levado o projeto adiante. Afinal, a ideia não partiu de quem tinha a caneta na mão.Temos uma trajetória secular, ainda desconhecida de muitos e desprezada por poucos, mas que ainda nos traz muito orgulho.


Fonte: Jairo Ardull


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