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Em quem votei?

Data da notícia: 2021-12-03 18:55:40
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Ainda me lembro de todos os candidatos que votei na eleição de 1982. Coisa muito diferente de hoje em dia. Tinha exatos 18 anos e era a primeira vez que votava. Peguei minha cédula de papel, a caneta já estava na cabine, e votei. De lá pra cá, nunca mais deixei de comparecer às sessões eleitorais. Naquela época, queria que esse ato refletisse minha maior idade, por entender que quem vota muda o destino do lugar em que vive. E quem vota consciente consegue mudar o país. Isso aconteceu quando ajudei a eleger o governador mineiro Tancredo Neves.

Nos idos de 1980, Tancredo Neves representava um via política que poderia por fim à ditadura militar que vigorava no Brasil desde 1964.

Coincidência ou não, meu ano de nascimento. Hoje, entendo que as articulações para que o governador mineiro assumisse a Presidência da República, há muito tempo, vinham ganhando espaço no cenário político nacional que, obrigatoriamente, passava pela volta das eleições diretas para presidente. Um anseio que havia tomado conta do país inteiro, numa verdadeira onda de redemocratização. E pensava eu com os meus botões, e eu ajudei a eleger esse homem!

Como todos da minha idade sabem, a emenda das “Diretas” não passou no Congresso Nacional, mesmo com todo apoio popular que recebeu de norte a sul. Os políticos da época não se curvaram à vontade popular e tudo ficou como estava. Mas tantos gritos nas ruas provocaram uma racha na base do governo federal. Essa fissura deu a Tancredo a possibilidade de ir ao Colégio Eleitoral com boas chances de vitória contra o governista Paulo Maluf. E foi o que aconteceu. O candidato que venceu a disputa pelo governo de Minas com o meu voto, se tornou o presidente do Brasil, sem o meu voto. No dia 21 de abril de 1985, Tancredo morreu sem tomar posse. Coisas da política que se curam com o tempo.

De certa forma, tinha a certeza que, mesmo pela via indireta, ajudei a mudar o destino do meu país. E essa certeza me acompanha a cada dia de votação. Tanto quanto o voto, o sentimento pelo direito de votar é único, pessoal e intransferível, já que não se consegue ser expresso por palavras. Nele, há algo de pertencimento por tudo que foi feito (certo ou errado) para garantir o direito democrático de votar. Não se participa de uma batalha sem deixar pelo caminho mortos e feridos. Os que defendem a volta da ditadura militar, ignoram ou não compreendem a extensão do processo que nos fez chegar até aqui.

Na eleição de 1982, em Minas Gerais, votei para ocupar a vaga do Senado o candidato Itamar Franco, que, em 1992, assumiu a presidência do Brasil, no lugar de Fernando Collor de Melo (sem comentários). Foi esse presidente que garantiu o dinheiro para construção da linha de transmissão de energia elétrica da Usina de Samuel para os municípios do interior rondoniense. E seu ministro de Minas e Energia era Paulino Cícero, a quem tinha dado meu voto para a Câmara dos Deputados, na mesma eleição. Por isso, é muito bom saber em que vota para um dia não se arrepender ou se orgulhar dele!


Fonte: Jairo Ardull


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