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Ji-Paraná(RO), 26/09/2021 - 02:39
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Uma questão de tempo para nova tragédia

Data da notícia: 2021-05-07 18:53:26
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*Jornalista

Não é de hoje que se fala e acontecem invasões de terras em Rondônia. Em nome da ocupação do antigo território federal, muitas injustiças foram cometidas para se ter direito ao tão sonhado pedaço de terra. Nesta conta, também podem ser incluídas populações indígenas inteiras, expulsas ou dizimadas, desde que teve início o processo de colonização da região.

Em mais de oitenta anos, se considerarmos a criação do Território Federal do Guaporé (1943), o atual estado atraiu e expulsou milhares de pessoas em um processo de que pouco se esforçou para evitar conflitos. Em alguns casos, até apoiou, como no caso dos índios. Mas na maioria das vezes, as autoridades fecharam os olhos para o que estava acontecendo no campo. Isso resultou em erros que colocaram frente a frente os dois lados que lutavam pela conquista da terra. Daí para explodir a violência foi um pulo.

Tanto é que, a partir dos anos 1970, um novo modelo de colonização teve que ser pensado pelo governo federal para garantir a posse de propriedades e evitar mais violência. Mas, com o passar dos anos, a falta da regularização fundiária ou garantia do documento da terra deu margem ao surgimento de inúmeros grupos que optaram pela luta armada para sustentar uma hipotética reforma agrária.

Neste processo, o que se viu foi crescer o número de mortos e feridos, não por acaso, do lado dos trabalhadores rurais. Foram abertas e encerradas, tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, inúmeras CPIs para investigar os conflitos agrários no país que pouco contribuíram para resolver o problema. Nas últimas décadas, houve avanços em programas agrários, tanto quanto na organização dos trabalhadores.

Atualmente, a fatores que, ainda que em tese, mantêm os integrantes algumas organizações firmes no propósito de conquistar a terra por meio da violência. Muitos deles se sustentam na falta de punição aos agentes das forças de segurança que cometeram, mesmo em outros tempos, massacres em processos de reintegração de posse. Para eles, não há outro caminho que não seja fogo-contra-fogo, mesmo que para isso mais mortos fiquem pelo caminho.

A situação é tão preocupante que levou o governador Marcos Rocha, na semana passada, a pedir ajuda ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao próprio presidente Jair Bolsonaro para colocar fim às invasões de terras no estado. E ao que parece, vai ser atendido. O que mais vem assustando as autoridades são a disposição e a organização dos grupos em invadir propriedades rurais e resistir às reintegrações de posse.

Se por um lado, o estado se estrutura para fazer cumprir a lei, por outro, grupos se organizam com verdadeiros arsenais para resistir a essa ação. Tanto em outros tempos como agora, violência não será a melhor conselheira para encontrar meios de garantir a terra para quem quer trabalhar e produzir. Basta decidir quem vai dar o primeiro passo nesta direção. Caso contrário, mais uma tragédia é questão de tempo.
*Jairo Ardull - Escritor e Jornalista.


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