] Jornal Correio Popular


Quarta-feira, 23 / 09 / 2020
JORNAL CORREIO POPULAR DE RONDôNIA - Fone: 69-3421-6853 - E-mail: redacao@correiopopular.com.br


ARQUIVO POPULAR
Beira Rio e suas várias fases de construção

Data da notícia: 2020-08-07 18:19:27
Foto: Divulgação
Beira Rio Cultural concluído, em 1995, com o inconveniente arquitetônico de ter os quiosques de costas para o rio

Em 1990, o Mural de Notícias noticiou a retirada de parte dos moradores do bairro Duque de Caxias, na margem do rio Machado, de uma área popularmente conhecida como Cai N’água. A remoção de famílias do local fazia parte do projeto da Prefeitura de Ji-Paraná de revitalizar vários pontos da cidade que, mais tarde, concluiu o Cemitério dos Pioneiros da avenida Marechal (Centro) e o Mercado Municipal.

O Cai N’água era uma das áreas mais antigas de Ji-Paraná, que se degradou com a ação do tempo por causa das dezenas de construções de madeiras. Para o prefeito José de Abreu Bianco (1989/92), o velho conjunto de casas era um péssimo cartão de visitas para o município. Sob protestos, as famílias foram levadas para o loteamento Jardim das Seringueiras, que por muitos anos ficou conhecido como Seringal.

Embora ainda seja lembrado como uma zona de prostituição, a realidade do Cai N’água não fazia jus ao título indesejado. Localizado próximo ao caminho da balsa, o local sempre abrigou famílias de migrantes e seringueiros, por ser rio e único caminho de chegada e partida da Vila (Distrito) de Rondônia, antes da abertura, em 1960, da BR-29, hoje BR-364. Foi durante a construção da ponte do rio Machado (1969/72), que aumentou o número de “Bregas” para oferecer diversão às dezenas de trabalhadores.

José Bianco encerrou o primeiro mandato sem concretizar o plano de oferecer à população uma área de turismo e lazer na margem do rio Machado. Foi durante a administração de Jair Ramires (1993/96), que o complexo turístico saiu do papel com a inauguração do Beira Rio Cultural, em 1995. Tratada como grande realização do atual prefeito, a obra possuía um conveniente arquitetônico que contribuiu para que deixasse de ser frequentada pelos moradores: os quiosques foram construídos de costas para o rio.

No segundo mandato de José Bianco (2004/08), o prefeito decidiu mais uma vez, em 2007, revitalizar a área com a retirada dos antigos quiosques e a construção de um lago, pista para caminhada e um palco para apresentações artísticas e culturais. Sem a preocupação de elevar a margem, a área era frequentemente invadida pelas águas do rio, causando prejuízos e tornando o local inviável durante o período de cheias. Na primeira administração de Jesualdo Pires (2013/16), o Governo de Rondônia decidiu assumir o projeto.

Foram mais quatro anos para que a população pudesse usufruir dos encantos naturais da cidade. Em fevereiro de 2020, o governador Marcos Rocha fez a reinauguração do complexo, acompanhado do prefeito Marcito Pinto, que assumira em abril de 2018, após renúncia de Pires. O CP acompanhou cada fase do Beira Rio. Foi um veículo de reivindicação a serviço da comunidade que, em três décadas, soube interpretar seus atores, conviver com as diferenças e preservar a memória.


Fonte: Jairo Ardull


Compartilhe com seus amigos:
 




www.correiopopular.com.br
é uma publicação pertencente à EMPRESA JORNALÍSTICA CP DE RONDÔNIA LTDA
2016 - Todos os direitos reservados
Contatos: redacao@correiopopular.net - comercial@correiopopular.com.br - cpredacao@uol.com.br
Telefone: 69-3421-6853.