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ARTIGO
Ji-Paraná, direita, centro, esquerda volver!

Data da notícia: 2020-07-31 18:47:39
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Washington Roberto Nascimento

*Por Washington Roberto Nascimento

Ji-Paraná, desde o ano de 1982, vem escolhendo pelo voto direto os seus mandatários para os poderes executivos e legislativo municipal. Nestes 38 anos de eleições diretas, o Município já teve composições tanto no Palácio Urupá como para o Palácio Abel Neves, com representantes da direita, do centro e da esquerda.

Em 1982, Ji-Paraná elegeu o empresário Roberto Geraldo Jotão e o radialista Valdemar Camata como prefeito e vice-prefeito, ambos pelo PDS, partido que tinha o coronel Jorge Teixeira, como líder maior e governador do Estado de Rondônia. O PDS era tido como o partido de direita e representava os militares, vez que era sucessor da antiga ARENA.

No ano de 1988, foi eleito para o Palácio Urupá o advogado e ex-presidente da Constituinte e da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, José de Abreu Bianco, pelo PFL, partido que abrigou parte dos dissidentes do PDS, e tem o seu programa eleitoral voltado para o liberalismo com viés de direita.

Na sequência, em 1992, no Município de Ji-Paraná foi eleito prefeito o ex-vereador Jair Ramires, pelo PDT, partido comandado no Brasil por Leonel Brizola, uma das mais fortes vozes do socialismo brasileiro e membro da internacional socialista. O PDT é um partido de esquerda e defende uma agenda estatizante com forte poder do estado, tanto na economia como também no processo de regulação do trabalho.

Brizola foi obrigado a criar o PDT, por divergências com a filha do ex-presidente da República Getúlio Vargas, na época, pois o partido com a nomenclatura ideal para o caudilho, era o PTB criado por Vargas. Vargas, que foi líder de uma das ditaduras mais cruéis vista no Brasil, é considerado o pai da CLT, criador de estatais como PETROBRAS, CORREIOS, BNDS e teve presença marcante com os ditadores da época a exemplo de Benito Mussolini, da Itália e Adolf Hitler, da Alemanha.

Em 1996, o ex-deputado federal e promotor de justiça licenciado, Ildemar Kusller é eleito prefeito de Ji-Paraná pelo partido de centro-esquerda PSDB. Marcando assim a presença e a continuidade de uma gestão de esquerda no palácio Urupá. Kusller deixou uma carreira parlamentar brilhante no Congresso Nacional, onde tinha grande proximidade do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, para ser candidato a prefeito e, acima de tudo, firmar a emedebista Marinha Raupp como deputada federal, até então licenciada e num cargo no Estado de Rondônia, dado a um acordo político (Raupp e Marinha) na época com o primeiro suplente de deputado federal Oscar Andrade.

Com o termino do mandato na prefeitura do centro-esquerda Dr. Ildemar Kusller, no ano de 2000, os eleitores optaram pelo retorno da estrema esquerda, formada pelo PDT, PT, PC do B e outros partidos, elegendo o empresário Acir Gurgacz, como prefeito de Ji-Paraná, que não concluiu o seu mandato frente ao executivo municipal, para concorrer às eleições de 2002 a uma vaga de governador do Estado de Rondônia. Ficando a Prefeitura de Ji-Paraná no comando do advogado Leonirto Rodrigues dos Santos, popularmente conhecido como Dr. Nico do PT.

Ji-Paraná, que já vinha sendo administrada pela esquerda por um período de 12 anos consecutivos, tem, em 2005, o retorno do Dr. José de Abreu Bianco ao Palácio Urupá pelo PFL, partido de direita. Bianco se reelege em 2009 e conclui o seu terceiro mandato frente à prefeitura de Ji-Paraná, em 2012.

Com a saída da direita, representada por Bianco, os ji-paranaenses elegeram o esquerdista e engenheiro civil Jesualdo Pires, pelo PSB, que liderou uma coligação de partidos da extrema esquerda, formada pelo PT, PDT, PV e outros. Nas eleições municipais de 2012, tanto o candidato vencedor, Jesualdo Pires, como a sua concorrente, vereadora Solange Pereira, eram de partidos da esquerda. Solange concorreu naquelas eleições pelo PMDB, PC do B, PTN, PTC e PP.

Jesualdo Pires repete a dose e é reeleito pelo PSB em 2016, a qual comandou o Palácio Urupá até o dia 6 de abril de 2018, renunciando ao mandato de prefeito para concorrer a uma vaga ao senado federal. Com a renúncia do engenheiro Jesualdo Pires, assume a prefeitura de Ji-Paraná, o empresário Marcito Pinto do PDT.

Tendo as eleições municipais de 2020 prorrogadas para 15 de novembro, o quadro político de Ji-Paraná sinaliza fortemente com a força da esquerda no comando da Prefeitura, pelas candidaturas abaixo listadas como pretendentes.

André Moreira, desconhecido do meio político, ouve-se dizer que é filiado do partido em criação Aliança, mais conhecido como André do CDL, porém, o partido Aliança ainda não está apto pelo TSE para concorrer às eleições de 2020. Salvo se o André, estiver filiado a outro partido apto, a concorrer às eleições municipais deste ano.

Ari Saraiva, PSB, aliado de primeira hora do ex-prefeito Jesualdo Pires, vem buscando o seu lugar no debate político municipal, terá que buscar a união de todos os segmentos da esquerda, assim como fez o seu principal padrinho político, para viabilizar a sua candidatura.

Claudia de Jesus, PT, vereadora, filha do ex-deputado federal Anselmo de Jesus, atuante nas causas sociais e árdua defensora da bandeira da extrema esquerda num projeto de governo. Aparentemente não há barreiras para confirmar a sua candidatura pelo PT.

Isaú Fonseca, MDB, ex-vereador, vem lutando pela esquerda moderada emedebista com o apoio dos caciques estaduais senador Confúcio Moura e deputado federal Lúcio Mosquini. A velha guarda do MDB de Ji-Paraná já abraçou a candidatura e está somando com os novos aliados.

Dr. João Durval, PP, foi candidato a prefeito de Ji-Paraná com uma votação expressiva, busca viabilizar a sua candidatura por um partido de centro. Atualmente o PP é uma das agremiações que compõe o centrão no Congresso Nacional, tem a bênção do ex-senador Ivo Cassol e da deputada federal Jaqueline Cassol.

Jonhy Paixão, PRB, foi vereador e atualmente deputado estadual. O PRB foi fundado por José de Alencar, ex-vice-presidente do Lula nos dois governos petista. Atualmente o PRB é o braço político do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal e em Rondônia seu maior dirigente é o ex-deputado federal Lindomar Garçom.

Laerte Gomes, PSDB, já foi prefeito de Alvorada do Oeste e, desde o mandato passado de deputado estadual, tornou-se morador de Ji-Paraná. O centro esquerda é o atual presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, boa aproximação com o ex-senador Expedito Júnior, do diretório regional do PSDB e do atual senador Marcos Rogério do DEM.

Léo Ferreira, PSL, é policial militar e tem a prerrogativa de ficar ou não nesse partido. Poderá mudar de partido antes das convenções. O PSL hoje é visto como uma legenda de direita, está longe de alguns bolsonaristas mais radicais.

Licomedio Pereira, Solidariedade (SD), radialista e comentarista político. O Solidariedade é um partido de esquerda e, em Rondônia, é comandado pelo ex-governador e sindicalista Daniel Pereira.

Lincoln Astré, PRTB, já foi vereador por Ji-Paraná, o advogado vem buscando o seu espaço no partido de direita do atual vice-presidente da República general Mourão, ligado aos liberais conservadores e tem bom trânsito no meio da fé que congrega, que é o evangelismo.

Marcito Pinto, PDT, atualmente como prefeito municipal ainda não descartou publicamente se será ou não candidato a reeleição. Os caciques da esquerda rondoniense apostam na candidatura do atual mandatário do Palácio Abel Neves, principalmente o senador Acir Gurgacz seu padrinho político.

Se se observar pelos nomes que mais se cogitam nas rodas de conversas de possíveis candidatos à prefeitura de Ji-Paraná, verifica-se que a esquerda tem hoje 6 pré-candidatos, o centro com 2 pré-candidatos e a direita com 2 pré-candidatos.

A direita administrou Ji-Paraná por 18 anos, Jotão e Camata na época tiveram um mandato de 6 anos. Já a esquerda administrou e administra Ji-Paraná por quase 20 anos.

Para as eleições de 2020, a esquerda, que a mais tempo está à frente da Prefeitura de Ji-Paraná, tem o maior número de candidatos ao Palácio Urupá, liderados pelo ex-secretário Ari Saraiva, PSB – Claudia de Jesus, PT – Isaú Fonseca, MDB - Laerte Gomes, PSDB – Licomedio Pereira, SD e Marcito Pinto, PDT.

Já o centro, vem com os candidatos Dr. João Durval, PP – Deputado Jhony Paixão, PRB.
A direita com André do CDL, Aliança – PM Léo Ferreira, PSL e Lincoln Astré, PRTB.

Dos 11 nomes que até aqui comentam a possibilidade de serem candidatos a prefeito de Ji-Paraná, não se vê nenhum dos seus respectivos partidos, direita – centro – esquerda, conversando, tratando, buscando as prioridades a serem realizadas com todos os segmentos da sociedade, mostrando, de forma factual, o que pretendem fazer e como irão realizar as ações de governança para pujante Município de 2021 a 2024. Até parece que não existem mais partidos ou partidários que querem ver, ouvir, discutir e construir planos de governos que sejam uma radiografia dos sentimentos dos seus munícipes.

Ji-Paraná corre um grande risco de ter candidatos a prefeito com planos de governo copiado no Google, até porque a legislação eleitoral determina que vá junto com o registro da candidatura a prefeito, um plano de governo. Logo, o Município poderá ter candidato que levará um plano crtl “C” crtl “V”, correndo o risco de esquecer de alterar o nome da cidade que fez a cola e não mostrar as reais necessidades de Ji-Paraná.

*Washington é professor.


Fonte: *Washington é professor.


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