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Bom dia! Sexta-feira, 22 / 09 / 2017
PREVENO
Campanha lana alerta sobre Sndrome Alcolica Fetal

Data da notícia: 2017-05-17 09:15:58
Foto: Ana Nascimento/MDS/Portal Brasil
Mdicos condenam o uso de bebidas alcolicas por gestantes. Bebs podem sofrer danos irreversveis como retardo mental e anomalias congnitas
O Brasil no tem estatsticas oficiais, nem programa de preveno especfico sobre a Sndrome Alcolica Fetal (SAF), doena que atinge bebs de mulheres que ingeriram bebidas alcolicas durante a gravidez. O alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ela est lanando este ms uma ferramenta para ampliar a conscientizao das mes e profissionais da sade sobre os danos da ingesto de lcool durante a gravidez para os bebs. Os pediatras destacam que a doena no tem cura e pode trazer danos irreversveis para as crianas, como retardo mental e anomalias congnitas.

A plataforma pode ser acessada no site da SBP), onde esto informaes gerais sobre a doena e orientaes de preveno e tratamento para mulheres e pediatras. O objetivo, segundo entidade, aumentar a repercusso da campanha nacional #GravidezSemAlcool e reduzir a ocorrncia de novos casos da Sndrome.

Segundo o Ministrio da Sade, a prevalncia de Sndrome no Brasil j foi estimada em 1 a cada 1.000 nascidos vivos, ndice menor que o registrado em termos mundias (3 em cada mil). Em nota, o ministrio reconhece, no entanto, que a estimativa nacional pode estar subestimada, considerando a dificuldade de diagnstico, a no obrigatoriedade da notificao e a tendncia crescente de consumo de bebidas alcolicas pelas mulheres e seu consumo significativo pelas gestantes no Brasil.

O ministrio e a SBP destacam um estudo feito em 2008 em uma maternidade pblica de So Paulo, em que duas mil mulheres no perodo ps-parto foram ouvidas. A pesquisa apontou que a incidncia do risco de desordens de neurodesenvolvimento relacionados ao lcool chega a 34,1 bebs a cada mil nascidos vivos.

O estudo revela ainda que mais de 70% das mulheres pesquisadas relataram que a ingesto ocorreu sem o conhecimento do estado de gravidez. A nota traz tambm a informao de que outros estudos locais realizados em So Paulo e no Rio de Janeiro apontam que 33% a 40% das gestantes consomem bebida alcolica em algum perodo da gestao, sendo que 10% a 21% o fazem durante toda a gravidez.

O Ministrio da Sade ressalta ainda que diferentes levantamentos nacionais apontam uma preocupante tendncia de aumento do consumo de lcool por mulheres em idade frtil (10 a 49 anos). Entre os dados est a Pesquisa Nacional de Sade do Escolar (PeNSE), que, nas ltimas edies, mostrou que o consumo de bebida alcolica entre adolescentes (13 a 17 anos) pode ser at 13% maior entre as meninas do que entre os meninos da mesma idade.

Para os pediatras, a ausncia de dados afeta o conhecimento sobre o problema e na formulao de polticas pblicas de preveno ao problema.

No h qualquer programa oficial para preveno dos efeitos do lcool no recm-nascido. No Brasil, as aes do governo focam na preveno ao consumo das drogas e do lcool, mas, de forma geral, a Sndrome Alcolica Fetal no combatida. Nem sequer se sabe o nmero de afetados que existem no pas. H um dficit de comunicao sobre o assunto e a ausncia de preveno faz com que esse problema, que existe h dcadas, se torne sem soluo, disse Luciana Silva, presidente da SBP.

Perfil das mes

Apesar da falta de dados oficiais, os mdicos apontam, que o perfil das mes que do luz crianas com a sndrome segue um mesmo padro. Geralmente, a gestante alcoolista tem um baixo padro socioeconmico e educacional, seu estado nutricional comprometido, ela afetivamente carente e deprimida, sua gravidez no desejada e o companheiro tambm dependente do lcool, explicou Luciana Silva.

O obstetra Olmpio Moraes, que trabalha em uma das maiores maternidades pblicas de Recife, explica que a subnutrio potencializa os efeitos do lcool e acrescenta que os casos so mais frequentes em mulheres alcoolistas e que fazem associao do lcool com outras drogas. O mdico sugere que a sndrome pode ser melhor prevenida se houver fortalecimento das aes de planejamento familiar, que podem evitar a ocorrncia de gestaes indesejadas.

A recomendao que as mulheres que usam lcool procurem um mtodo contraceptivo de longa durao, como o DIU (Dispositivo Intrauterino que, colocado no tero, evita a gravidez) ou a laqueadura para no acontecer uma gravidez indesejada. E quando ela quiser engravidar, tem que tratar o alcoolismo e utilizar o cido flico mais ou menos 12 semanas antes para preveno de anomalias e doenas neurolgicas, como anencefalia. Ento, o ideal s deixar de usar o mtodo contraceptivo quando j no estiver bebendo e, quando grvida, fazer pr-natal adequado, recomendou Moraes, que tambm diretor da Federao Brasileira das Associaes de Obstetrcia e Ginecologia (Febrasgo).

Nvel de consumo

Os mdicos alertam que um simples gole de bebida alcolica pode atingir o beb. Por outro lado, esclarecem que nem todos as crianas que foram expostas ao lcool durante a gestao desenvolvem a sndrome.

Segundo estudo citado pela campanha, estima-se que, das mulheres que usarem lcool na gravidez, de 30 a 50% delas tero filhos com alteraes clnicas do desenvolvimento.

Para a SBP e outras entidades que esto envolvidas na campanha, diante do risco e do desconhecimento de nveis seguros de consumo de lcool durante a gestao, a recomendao que a mulher interrompa imediatamente a ingesto de lcool assim que a gravidez constatada.

No se conhece at hoje nenhum nvel de lcool no sangue materno abaixo do qual as malformaes deixem de ocorrer. Portanto, tolerncia zero para ingesto de bebida alcolica durante a gravidez a principal recomendao dos mdicos. E os profissionais de sade devem procurar estudar o assunto para orientar as mes. Este um alerta continuo e ilimitado, afirmou a pediatra Conceio Segre, coordenadora da campanha nacional.

O ideal no beber, porque a gente no tem esse nvel de segurana. Claro que, com uma pequena ingesto uma vez ou outra, a possibilidade de causar algum mal muito pequena, mas a gente no tem um nvel de segurana, ento deve-se evitar ao mximo. Quem est amamentando no deve beber, porque o lcool passa para o leite, reforou o obstetra Olmpio Moraes.

Diagnstico

A presidente da SBP, Luciana Silva, ressalta que os danos da doena no podem ser totalmente revertidos, apenas amenizados. O tratamento ocorre por meio de suporte mdico, aliado a acompanhamento social e psicolgico.

Segundo os especialistas, o beb atingido quando o lcool, presente na corrente sangunea da mulher, atravessa a placenta e fica armazenado no lquido amnitico, que envolvem o feto na barriga da me. Uma vez em contato com o crebro do beb, que ainda est em formao, o lcool passa por um processo mais lento de metabolismo e no eliminado facilmente, o que deixa o beb mais exposto aos seus efeitos.

Os mdicos explicam ainda que o diagnstico da sndrome feito com mais preciso depois do nascimento da criana, quando podem ser observadas malformaes na face e outros defeitos fsicos decorrentes da sndrome, como a microcefalia.

O retardo no crescimento (no tero e tambm depois do nascimento), problemas cardacos, disfunes na memria e na capacidade de aprendizagem, alm de dificuldades de relacionamento e outras alteraes comportamentais tambm so apontados pelos especialistas como indcios tardios da doena.

A certeza mesmo [do diagnstico] s depois do nascimento. Quando o caso grave, algumas malformaes podem ser vistas no ultrassom, mas a maior parte [das sequelas] no possvel diagnosticar no ultrassom, s no nascimento e no desenvolvimento da criana, desenvolvimento cognitivo e motor, explica o obstetra Olmpio Moraes.

O material da campanha alerta ainda que mais da metade das crianas que desenvolvem a doena, quando adultos, so confinadas em instituies de tratamento de doenas mentais, com problemas com a lei e mais chances de se tornarem dependentes de lcool e drogas. Mais de 80% no conseguem se manter no emprego, nem viver de forma independente.


Fonte: Debora Brito - Agncia Brasil


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