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Bom dia! Sexta-feira, 22 / 09 / 2017
AEDES AEGYPTI
Pesquisadores da Fiocruz identificam oito mutaes no vrus da febre amarela

Data da notícia: 2017-05-16 09:18:29
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agncia Brasil
A pesquisadora Myrna Bonaldo garantiu que a vacina contra a febre amarela no perdeu a eficcia mesmo aps a constatao de mutaes no vrus da doena
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundao Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificaram oito mutaes em sequncias genticas do vrus da febre amarela do surto de 2017, que esto associadas a protenas envolvidas na replicao viral. A comprovao foi feita a partir dos primeiros sequenciamentos completos do genoma de amostras de dois macacos do tipo bugio encontrados em uma rea de mata, no Esprito Santo, no fim de fevereiro deste ano. Para os cientistas, as alteraes genticas no comprometem a eficincia da vacina contra a doena, mas vo pesquisar se tornam o vrus mais agressivo. Os estudos mostraram que os microrganismos pertencem ao subtipo gentico conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que segundo o IOC, predominante no Brasil desde 2008.

Para o chefe do Laboratrio de Mosquitos Transmissores de Hematozorios do IOC, o pesquisador e um dos coordenadores do estudo, Ricardo Loureno, a condio em que os macacos foram recolhidos para a retirada de amostras foi fundamental para a identificao. Um deles tinha morrido h pouco tempo e o outro ainda estava vivo, embora j prestes a morrer. Eles no estavam em deteriorao. Isso fez com que as partculas virais que estavam nos corpos deles pudessem ser detectadas porque no degradaram, informou.

Ricardo Loureno acrescentou que os animais foram encontrados durante uma pesquisa de campo com auxlio de armadilhas para coletar mosquitos na regio. Na colocao das armadilhas no Esprito Santo, avisaram para ns que havia macacos morrendo no local. J que estvamos l colocando as armadilhas para coletar os mosquitos, estvamos preparados para examinar qualquer coisa e coletamos o sangue, tnhamos, inclusive, gelo seco para congelar as amostras, revelou.

Vacina
A chefe do Laboratrio de Biologia Molecular de Flavivrus do IOC, a pesquisadora e tambm coordenadora do estudo, Myrna Bonaldo, afastou qualquer possibilidade de a descoberta comprometer a eficcia da vacina contra a febre amarela. No muda. uma vacina que j est sendo administrada h 80 anos e que muito eficaz, contou, completando que a alterao no est ocorrendo na principal protena viral que so as protenas da parte exterior do vrus e, por isso, no deve tornar o vrus menos imunognico ou no. A vacina vai proteger certamente. Um exemplo disso que, em qualquer lugar do mundo em que tem variantes do vrus de febre amarela, a vacina protege com a mesma eficcia, ento, em princpio no muda nada.

Agora, os estudos vo continuar para verificar de que forma a variao pode impactar na infeco em macacos, mosquitos e no homem. Outra pergunta que precisa ser respondida, de acordo com Myrna Bonaldo, saber se as mudanas tornam o vrus mais agressivo, no sentido de infectar mais gravemente um hospedeiro, um vetor ou um mamfero. A pesquisadora apontou ainda que, at o momento, essas alteraes no foram descritas em nenhum vrus de febre amarela, quer seja os vrus da frica ou da Amrica do Sul.

Foi bem particular o resultado. Isso no quer dizer que este vrus seja mais agressivo e que poderia prejudicar mais as pessoas. Para ter uma ideia, vamos precisar levar este vrus para o laboratrio e comear estudos bem bsicos, tanto em infeco de clulas como tambm infeco em alguns modelos animais, como mosquitos, completou.

A pesquisadora contou tambm que, desde 2000, tem ocorrido cada vez mais casos humanos de contaminao pelo vrus da febre amarela e, por isso, houve uma disperso dos registros da doena, que pode ser decorrente da mudana ou de baixa cobertura vacinal, porque no era uma regio suscetvel infeco por febre amarela. De certa maneira houve uma disperso dele na natureza, uma ampliao nas regies em que ele comeou a circular em macacos e em mosquitos silvestres e depois isso acabou atingindo o homem, disse.

Myrna Bonaldo apontou que ainda somente aps a confirmao de onde e quando ocorreram as mutaes que se pode verificar se h relao com desastres ambientais. Esse o momento da gente estudar vrias amostras da epidemia atual, com associao com amostras antigas, para a gente poder rastrear onde ocorreram essas variaes e como isso se dispersou em diferentes regies aqui do Sudeste, acrescentou.

Na viso da pesquisadora, os estudos vo contribuir tambm para a adoo de medidas de vigilncia sanitria. Vamos conhecer melhor toda a capacidade desse vrus circular no Brasil. Isso pode dar ferramentas preciosas para fazer a vigilncia sanitria. Prever para no ter os piores casos. Vai dar armas para saber quais so reas do Brasil que talvez tenham que ser priorizadas na hora em uma vacinao, ou no, afirmou.


Fonte: Cristina Indio Brasil - Agncia Brasil


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